sexta-feira, 25 de maio de 2012

Rico em impostos, pobre em espírito.

Muitos não percebem e outros não se preocupam com a inversão de valores pela qual passa, desde que surgiu, a sociedade civil brasileira. Digo "passa" pois acredito que isso vá mudar. Quando? Depende. De ricos nós já somos chamados. Mas que riqueza é essa?

Todos os anos o Governo Federal abre mão de R$ 2,5 bilhões de reais em impostos que deveria receber de pessoas físicas e jurídicas. Ele permite que, ao invés de pagar para ele, os contribuintes destinem essa verba para os projetos que quiserem, desde que sejam ligados ao Fundo da Infância e Adolescência. É a chamada Renúncia Fiscal, que também beneficia a cultura, o esporte e os idosos.

Além de poder monitorar de perto a destinação de seus impostos, as empresas têm a possibilidade de solicitar contrapartidas de marketing em suas barganhas para definir qual das numerosas organizações irá receber a maior parte de seus tributos, que chega a milhões/ano. E o terceiro setor, por sua vez, se profissionaliza, evolui, atende melhor a comunidade e cada vez mais fala a língua corporativa.


Mas desses R$ 2,5 BILHÕES que o governo "dá", apenas 2,3 milhões são usados. Os outros dois bilhões e "pouquinho" voltam para a máquina e de lá tomam o mesmo rumo dos demais. E para quem acha que o governo não quer que a gente utilize esses recursos, vale salientar que os redatores do projeto, na época em que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) foi criado, imaginaram que nunca mais no Brasil teríamos problemas com crianças e adolescentes. Quem sabe um dia.

E aí hoje abro a Folha Online e me deparo com a seguinte manchete: "Doações ao PT crescem 350% e atingem R$ 50 mi em 2011." Será que dá para entender a incoerência? As empresas tiram mihões do bolso para fazer lobby quando teoricamente todo o resultado dele - o lucro - deveria acontecer apenas pela qualidade dos seus produtos e serviços, pela necessidade das regiões em acolher indústrias, por exemplo, ou sua adequação aos requisitos das licitações que, teoricamente, não visam beneficiar ninguém além do próprio país.

Na verdade todo mundo sabe e todo vê isso, o que ninguém entende é que se o foco do governo, ou pelo menos das pessoas, que são aquelas que não têm o rabo preso e podem muito bem agir, fosse a sociedade, as empresas seriam obrigadas a pensar na sociedade. E aí elas começariam, quem sabe, a pensar em usar esses bilhões que o governo lhes dá para investir em marketing e ainda ajudar a acabar com quase todos os problemas do lugar onde vivemos, como já acontece em quase todos os países "ricos" do mundo. Você que está me lendo pode fazer isso. Esses bilhões sobre o qual eu falei saem do SEU bolso também. Bora?

Fonte: Folha de São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1095427-doacoes-ao-pt-crescem-350-e-atingem-r-50-mi-em-2011.shtml. Acesso em: 25/05/2012.